Segurança Alimentar em Moçambique: Desafios e Progressos ao Longo dos Anos
- Fundação RESET

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Moçambique enfrenta há muito tempo desafios na garantia da segurança alimentar da sua população, devido a factores como as mudanças climáticas, os conflitos armados, a instabilidade económica e os défices de infra-estruturas. Ao longo dos anos, diversas iniciativas têm sido implementadas para melhorar a produção alimentar, reforçar a resiliência agrícola e assegurar que as comunidades mais vulneráveis tenham acesso a uma nutrição adequada. No entanto, o país continua altamente susceptível a choques externos, incluindo desastres naturais, conflitos políticos e flutuações nos mercados alimentares globais.
Principais Conclusões
A segurança alimentar em Moçambique tem sido fortemente afectada por extremos climáticos. O país tem enfrentado secas e cheias severas, que destruíram culturas e reduziram as colheitas, levando ao aumento da insegurança alimentar. A frequência de eventos climáticos extremos, como os ciclones Idai (2019), Gombe (2022) e Freddy (2023), evidenciou a elevada vulnerabilidade do sector agrícola. Para além disso, períodos prolongados de estiagem associados aos fenómenos El Niño e La Niña provocaram escassez de água e processos de desertificação, agravando ainda mais a pressão sobre a produção alimentar.
A produtividade agrícola tem sido limitada pelo acesso reduzido a insumos modernos, pelas infra-estruturas deficientes e pelo baixo investimento na mecanização. Os pequenos produtores, que constituem a maioria da força de trabalho agrícola, muitas vezes não têm acesso a sementes de qualidade, fertilizantes e sistemas de irrigação. Programas governamentais, como o Sustenta, têm procurado colmatar estas lacunas, proporcionando aos pequenos agricultores acesso a crédito e formação. No entanto, o impacto destas iniciativas tem sido desigual, com muitas comunidades rurais a continuarem a enfrentar dificuldades para alcançar a auto-suficiência alimentar.
Os conflitos armados, particularmente no norte de Moçambique, agravaram a insegurança alimentar. A insurgência em Cabo Delgado levou ao deslocamento de milhares de pessoas, perturbando a produção alimentar local e as cadeias de abastecimento. Muitas famílias deslocadas foram forçadas a depender de ajuda alimentar fornecida por organizações humanitárias. Para além disso, os desafios logísticos e as preocupações de segurança têm dificultado os esforços de distribuição de alimentos às comunidades afectadas, tornando a situação ainda mais precária.
Apesar dos esforços contínuos para melhorar a segurança alimentar, Moçambique continua a enfrentar desafios significativos. As mudanças climáticas, os défices de infra-estruturas e os deslocamentos relacionados com conflitos permanecem como grandes ameaças à estabilidade agrícola e à disponibilidade de alimentos. O reforço das estratégias de adaptação às mudanças climáticas, a expansão do acesso a insumos agrícolas e a promoção de técnicas de produção agrícola sustentáveis são fundamentais para assegurar a segurança alimentar a longo prazo. Adicionalmente, a abordagem das desigualdades sociais e económicas será essencial para o fortalecimento da resiliência das comunidades mais vulneráveis.
Fonte Bibliográfica:
A Fundação RESET está comprometida com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os relatórios sobre Segurança Alimentar em Moçambique estão ligados a vários ODS, nomeadamente:




Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à acção para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que, até 2030, todas as pessoas usufruam de paz e prosperidade.




