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Reforço do Desenvolvimento Agrário e do Agroprocessamento em Moçambique

  • Foto do escritor: Fundação RESET
    Fundação RESET
  • há 18 minutos
  • 3 min de leitura


A agricultura é a chave para o crescimento económico em Moçambique, contribuindo de forma significativa para o emprego e a segurança alimentar. No entanto, desafios como as mudanças climáticas, as infra-estruturas limitadas e o fraco acesso aos mercados dificultam o aproveitamento pleno do seu potencial. O relatório do IFPRI sobre os compromissos africanos para o desenvolvimento agrário e o estudo da SAIIA sobre o agroprocessamento na região da SADC fornecem informações valiosas sobre o panorama agrícola de Moçambique. Estes documentos destacam a importância da coerência de políticas, do comércio regional e do reforço das cadeias de valor para alcançar um crescimento agrícola sustentável.



Principais Conclusões


A primeira constatação-chave sublinha o compromisso de Moçambique com o desenvolvimento agrário através de quadros internacionais e regionais, como o CAADP/Malabo, a Agenda 2063 da União Africana e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Apesar destes compromissos, o crescimento agrícola de Moçambique continua abaixo da meta anual de 6% estabelecida pelo CAADP. O investimento limitado, as infra-estruturas frágeis e a variabilidade climática continuam a condicionar a produtividade. No entanto, investimentos públicos estratégicos nas cadeias de valor agrícolas, em particular no processamento e na comercialização de alimentos, podem impulsionar o crescimento.


A segunda constatação-chave revela a importância do desenvolvimento de cadeias de valor regionais de agroprocessamento. Moçambique e outros países da SADC dispõem de recursos agrícolas significativos, mas a maior parte da produção é exportada em estado bruto. O estudo da SAIIA destaca que, ao aumentar os investimentos no agroprocessamento, Moçambique pode gerar mais produtos com valor acrescentado, reforçar a segurança alimentar e reduzir a dependência de importações. O fortalecimento do comércio intra-regional na SADC poderá promover maior industrialização, criação de emprego e estabilidade económica.


A terceira constatação-chave aponta para lacunas políticas e institucionais que precisam de ser ultrapassadas. As políticas agrícolas de Moçambique dão ênfase à segurança alimentar e ao desenvolvimento rural, mas persistem desafios significativos na sua implementação. O estudo do IFPRI indica que o investimento em irrigação, transporte, armazenamento e acesso aos mercados é fundamental para melhorar a produtividade e a competitividade do sector agrícola. Além disso, a cooperação regional na harmonização dos sistemas de controlo de qualidade e dos processos de certificação pode ajudar Moçambique a integrar-se melhor nos mercados internacionais.


A quarta constatação-chave destaca o impacto das mudanças climáticas e a necessidade de estratégias de reforço da resiliência. Moçambique enfrenta eventos climáticos extremos, como ciclones e secas, que ameaçam a produtividade agrícola. Através da adopção de práticas de agricultura inteligente face ao clima, da melhoria da gestão dos recursos hídricos e do aproveitamento de parcerias comerciais regionais, Moçambique pode mitigar estes riscos e reforçar a segurança alimentar.


O sector agrícola de Moçambique tem um potencial significativo para impulsionar o desenvolvimento económico e melhorar a segurança alimentar. No entanto, para concretizar plenamente esse potencial, o país precisa de enfrentar desafios-chave, como as infra-estruturas limitadas, a vulnerabilidade às mudanças climáticas e a fraca implementação de políticas. O reforço das indústrias de agroprocessamento, o aumento do investimento no desenvolvimento rural e a promoção de parcerias comerciais regionais serão fundamentais para um crescimento agrícola sustentável. Ao alinhar-se com as agendas internacionais de desenvolvimento, Moçambique pode reforçar a resiliência do seu sector agrícola e criar mais oportunidades para os pequenos produtores e para os agronegócios.



Fonte Bibliográfica:








A Fundação RESET está comprometida com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os relatórios sobre Segurança Alimentar em Moçambique estão ligados a vários ODS, nomeadamente:










Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à acção para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que, até 2030, todas as pessoas vivam em paz e prosperidade.


 
 
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