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Retrocesso na Redução da Pobreza em tempos de choques económicos e ambientais

  • Foto do escritor: Fundação RESET
    Fundação RESET
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Moçambique registou progressos significativos na redução da pobreza ao longo das últimas duas décadas, com o crescimento económico e a melhoria do bem-estar das famílias a tirarem milhões de pessoas da pobreza extrema. No entanto, entre 2015 e 2020, este progresso foi seriamente revertido devido a uma série de choques económicos e ambientais. A crise das dívidas ocultas de 2016, combinada com graves desastres naturais (os Ciclones Idai e Kenneth em 2019) e a pandemia da COVID-19 em 2020, fez com que a taxa de pobreza aumentasse de 48,4% em 2015 para 62,8% em 2020, afectando quase 19 milhões de pessoas. Este relatório destaca os efeitos acumulados destas crises, as fragilidades estruturais da economia moçambicana e a necessidade urgente de políticas de reforço da resiliência, de modo a mitigar futuros retrocessos.



Principais Conclusões


A estrutura económica de Moçambique continua altamente vulnerável, com 72% da população dependente da agricultura. No entanto, a baixa produtividade, o acesso limitado aos mercados e os choques relacionados com o clima continuam a manter as comunidades rurais presas à pobreza. Apesar do rápido crescimento das indústrias extractivas no país, estas geram poucas oportunidades de emprego para os mais pobres, o que tem contribuído para o aumento da desigualdade económica. As fragilidades do mercado de trabalho, o elevado nível de subemprego (que afecta cerca de 50% da força de trabalho) e os investimentos limitados em infra-estruturas, saúde e educação têm também restringido os esforços de redução da pobreza. Além disso, a falta de mecanismos robustos de protecção social tem deixado milhões de moçambicanos sem redes de segurança em períodos de crise.



A exposição de Moçambique a choques ambientais tem também desestabilizado os esforços de redução da pobreza, uma vez que ciclones, secas e cheias têm perturbado significativamente a produção alimentar, o rendimento das famílias e o bem-estar geral. Os eventos climáticos provocaram reduções de até 30% no consumo de alimentos nas regiões afectadas, agravando a fome e a desnutrição. A pandemia da COVID-19 intensificou ainda mais as dificuldades económicas, ao reduzir a mobilidade, interromper actividades comerciais e aumentar os preços de bens essenciais, sobretudo nas áreas urbanas.


Com limitadas reservas financeiras, muitas famílias ainda não conseguiram recuperar destas crises consecutivas, o que evidencia a necessidade urgente de investir na adaptação climática, na diversificação económica e no reforço dos sistemas de protecção social, de forma a construir resiliência a longo prazo.

A experiência de Moçambique ao longo da última década demonstra a fragilidade dos seus esforços de redução da pobreza perante múltiplas crises. A elevada exposição a choques, a falta de diversificação económica e os sistemas inadequados de protecção social deixaram milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.No futuro, o país precisa investir em estratégias de resiliência, incluindo agricultura adaptada às mudanças climáticas, melhoria das infra-estruturas e reforço das redes de segurança social. Além disso, o fortalecimento da governação, a diversificação económica e a criação de emprego serão fundamentais para garantir uma redução da pobreza sustentável.


O relatório sublinha que, sem reformas políticas proactivas, a pobreza em Moçambique poderá continuar a aumentar, sobretudo à medida que as mudanças climáticas, a instabilidade económica e as vulnerabilidades sociais persistem.Uma abordagem multissectorial, centrada na resiliência, na protecção social e no crescimento inclusivo, é essencial para garantir um futuro sustentável e equitativo para todos os moçambicanos.



Fonte Bibliográfica:





A RESET Foundation está comprometida com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O relatório “Retrocesso na Redução da Pobreza em Tempos de Choques Acumulados” está ligado a vários ODS:


















Os ODS, também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à acção para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que, até 2030, todas as pessoas possam desfrutar de paz e prosperidade.


 
 
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