Desafios e Oportunidades na Gestão de Resíduos em Moçambique
- Fundação RESET

- há 2 dias
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Moçambique enfrenta desafios significativos na gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU), caracterizados por baixas taxas de recolha, práticas inadequadas de deposição de resíduos e iniciativas limitadas de reciclagem. As infra-estruturas de gestão de resíduos no país permanecem pouco desenvolvidas, particularmente nas zonas periurbanas e rurais, o que contribui para sérios riscos ambientais e de saúde pública. Apesar destes desafios, Moçambique possui oportunidades para implementar estratégias integradas de gestão de recursos, com enfoque na recuperação de resíduos, reciclagem e planeamento urbano sustentável. Este relatório analisa o estado actual da gestão de resíduos sólidos urbanos, os principais obstáculos existentes e possíveis caminhos para a sua melhoria.
Principais Conclusões
Moçambique gera aproximadamente 1 kg de resíduos por pessoa por dia nos centros urbanos, sendo que Maputo produz cerca de 676.000 kg de resíduos sólidos urbanos (RSU) diariamente. No entanto, os serviços de recolha de resíduos cobrem apenas 40% a 65% das áreas urbanas, enquanto nas zonas rurais predominam métodos informais de eliminação de resíduos, como queima a céu aberto e deposição ilegal.
O elevado conteúdo orgânico nos RSU (até 68%) representa uma oportunidade para compostagem e produção de bioenergia. Contudo, a recuperação formal de resíduos ainda é muito limitada, com menos de 1% dos resíduos a serem reciclados.
Além disso, grande parte dos resíduos industriais não é devidamente gerida, e grandes lixeiras, como a Hulene em Maputo, funcionam sem controlos ambientais adequados, contribuindo para poluição do ar, contaminação da água e aumento dos riscos para a saúde pública.
Apesar da ausência de uma indústria estruturada de gestão de resíduos, os catadores informais desempenham um papel crucial na recuperação de materiais, recolhendo vidro, cartão, plásticos e sucata metálica. No entanto, a falta de reconhecimento formal e de incentivos económicos limita o seu impacto. O relatório destaca a necessidade urgente de regulamentação do sector de resíduos, melhoria dos sistemas de recolha e integração dos catadores em redes formais de reciclagem.
Alguns desenvolvimentos positivos incluem iniciativas lideradas por ONGs, como os Eco-Pontos da AMOR e a cooperativa de reciclagem de plástico RECICLA, que têm contribuído para aumentar a reciclagem a nível local e promover a consciencialização ambiental.
Para reforçar a sustentabilidade, Moçambique deve priorizar investimentos em infra-estruturas de gestão de resíduos, modelos de economia circular e reformas de políticas públicas. A implementação de taxas sobre resíduos, parcerias público-privadas e campanhas de educação ambiental pode aumentar o envolvimento das comunidades e melhorar o financiamento dos serviços de gestão de resíduos.
O potencial de recuperação de energia a partir de resíduos (como combustível baseado em biomassa e captura de metano) também representa uma oportunidade económica ainda pouco explorada. Ao adoptar uma abordagem integrada (nexus) que articule a gestão de resíduos, água e terra, Moçambique poderá avançar para um sistema de gestão de resíduos mais eficiente e sustentável.
O sector de gestão de resíduos em Moçambique permanece pouco desenvolvido, caracterizado por baixas taxas de recolha, condições precárias dos aterros e infra-estruturas de reciclagem limitadas. No entanto, através da valorização dos resíduos orgânicos, da integração dos recicladores informais e da expansão de programas formais de gestão de resíduos, o país poderá melhorar o saneamento urbano, reduzir a poluição e criar novas oportunidades económicas. Colmatar lacunas regulatórias, aumentar o investimento em infra-estruturas de tratamento de resíduos e promover a inovação será fundamental para desenvolver uma economia circular no sector dos resíduos e melhorar a saúde ambiental no país.
Fontes Bibliográficas:
A RESET Foundation está comprometida com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Com reformas estratégicas de políticas públicas, investimento em tecnologias de reciclagem e iniciativas lideradas pelas comunidades, Moçambique pode transformar a gestão de resíduos numa oportunidade para o desenvolvimento sustentável.A análise sobre a Gestão de Resíduos está ligada a vários ODS:





Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à acção para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que, até 2030, todas as pessoas possam desfrutar de paz e prosperidade.




