Inquérito aos Agricultores GreenLight – Perspectivas Socioeconómicas e Agrícolas
- Fundação RESET

- há 2 dias
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Em Agosto de 2023, a GreenLight Africa realizou um inquérito aos agricultores em parceria com a Sociedade Algodoeira do Niassa João Ferreira dos Santos (SAN-JFS), a mais antiga processadora e exportadora de algodão de Moçambique. O inquérito teve como objectivo avaliar as técnicas de produção de algodão, o nível de satisfação dos agricultores, as condições socioeconómicas e as tendências agrícolas.
Os dados foram recolhidos junto de 486 agricultores, em 18 mercados locais no distrito de Cuamba, na província do Niassa. Os resultados fornecem informações valiosas sobre os meios de subsistência rurais, o acesso aos mercados e a segurança alimentar, contribuindo para orientar futuras intervenções destinadas a melhorar a produtividade agrícola e promover o desenvolvimento rural.
Principais Conclusões
O inquérito destacou indicadores significativos de pobreza entre os produtores de algodão, com 72% a auferirem 3.000 MZN ou menos por mês, valor muito abaixo do salário mínimo do sector agrícola em Moçambique, fixado em 5.800 MZN. Além disso, 97% dos entrevistados vivem em casas com chão de terra e 98% não têm acesso a latrinas melhoradas, o que reflecte condições de vida precárias. Apesar destes desafios, 74% dos agregados familiares afirmaram tomar decisões conjuntas sobre a utilização do rendimento proveniente do algodão, sendo educação, alimentação e necessidades básicas do lar as principais prioridades de despesa. No entanto, o acesso a serviços bancários formais e a mecanismos de poupança continua extremamente limitado: 49% dos agricultores guardam dinheiro em casa e apenas 2% participam em grupos de poupança.
No que diz respeito à produção agrícola, o algodão continua a ser a principal cultura de rendimento, cultivada por 100% dos agricultores inquiridos, seguido pelo milho (93%), feijão (62%) e amendoim (27%). A área média de cultivo de algodão varia entre 1 e 2 hectares, com uma produção média de 13,69 sacos por campanha. Os agricultores venderam o algodão a 33 MZN/kg na campanha 2021/2022, gerando um rendimento médio de 14.778 MZN por campanha. 68% dos entrevistados identificaram a qualidade do solo como o factor mais importante para a produtividade do algodão, seguido pela rotação de culturas (42%) e pela qualidade das sementes (32%). Além disso, 99% dos agricultores recomendaram o cultivo de algodão e relataram forte apoio da liderança comunitária ao desenvolvimento desta cultura.
O inquérito também revelou níveis reduzidos de acesso à energia e aos serviços de mercado. Embora 71% dos agricultores tenham acesso à electricidade, 52% dependem de energia solar, sendo que 67% adquiriram sistemas solares através da SAN-JFS.
Os agricultores também relataram acesso limitado aos serviços de extensão agrária, com apenas 18% a participarem em mais de cinco sessões de formação. No entanto, demonstraram forte interesse em receber melhor apoio agrícola, incluindo pesticidas mais eficazes, fertilizantes, sistemas de irrigação e equipamentos de mecanização.
Além disso, apenas 49% dos agricultores tinham conhecimento da iniciativa João Stores, que comercializa insumos agrícolas e bens essenciais. Contudo, 88% daqueles que visitaram as lojas efectuaram compras, demonstrando um elevado potencial de procura por estes serviços.
O Inquérito aos Agricultores GreenLight 2023 destaca as vulnerabilidades socioeconómicas e as limitações agrícolas enfrentadas pelos produtores de algodão em Moçambique. Embora o cultivo de algodão continue a ser uma fonte crucial de subsistência, os agricultores enfrentam níveis elevados de pobreza, acesso limitado a serviços agrícolas e fraca integração nos mercados. A expansão dos programas de extensão agrária, a melhoria do acesso aos mercados e o investimento em infra-estruturas rurais são fundamentais para aumentar a produtividade e melhorar o bem-estar dos agricultores. Além disso, o reforço da inclusão financeira, da mecanização e das cadeias de fornecimento de insumos agrícolas será essencial para promover a sustentabilidade a longo prazo do sector do algodão em Moçambique.
Fonte Bibliográfica:
A RESET Foundation está comprometida com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ao priorizar o desenvolvimento agrícola, a inclusão financeira e as infra-estruturas rurais, Moçambique pode melhorar significativamente os meios de subsistência dos pequenos produtores de algodão, garantindo ao mesmo tempo a sustentabilidade a longo prazo. O Inquérito aos Agricultores GreenLight está ligado a vários ODS:








Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à acção para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que, até 2030, todas as pessoas possam desfrutar de paz e prosperidade.




