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Reforço da Resiliência Climática no Setor do Algodão em Moçambique

  • Foto do escritor: Fundação RESET
    Fundação RESET
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura


O Programa de Resiliência Climática de Moçambique (MCRP) foi lançado em 2016 para enfrentar a vulnerabilidade climática nas regiões produtoras de algodão em Moçambique, onde 73% da população depende da agricultura para gerar rendimento. Implementado através de parcerias público-privadas, o programa concentra-se na gestão da água e da terra, em meios de subsistência alternativos e em práticas agrícolas sustentáveis, com o objetivo de mitigar os riscos associados às alterações climáticas, secas e cheias.

Ao longo dos seus quatro anos de implementação, o MCRP contribuiu para melhorar a resiliência dos agricultores, aumentar a produtividade e reforçar a segurança alimentar, através do desenvolvimento de infraestruturas, da formação de agricultores e da utilização de ferramentas digitais de partilha de conhecimento.



Principais Conclusões


O MCRP melhorou significativamente a gestão da água no setor do algodão em Moçambique através do desenvolvimento de estruturas comunitárias de gestão de bacias hidrográficas, da construção de pequenas barragens de retenção (check dams), sistemas de irrigação e poços abertos. Estas intervenções expandiram a disponibilidade de água para a agricultura e para o uso doméstico, beneficiando mais de 100.000 pequenos agricultores. No total, o programa criou 173.493 metros cúbicos de capacidade adicional de armazenamento de água, permitindo colocar 103 hectares sob irrigação. A iniciativa também contribuiu para reduzir a erosão do solo e a degradação das terras, através de práticas como escavação de trincheiras, construção de diques de contenção (bunds) e estruturas de controlo de ravinas, reforçando a sustentabilidade a longo prazo dos ecossistemas locais.



Para além da gestão da água, foram introduzidas oportunidades alternativas de subsistência para reduzir a dependência dos agricultores exclusivamente do algodão. O programa promoveu iniciativas de diversificação de culturas, com agricultores a cultivarem culturas secundárias como tomate, cebola, couve e alface em 21,9 hectares de terra.

Além disso, programas de criação de animais forneceram cabras e aves de capoeira a 663 agricultores, contribuindo para melhorar a segurança alimentar e a diversificação de rendimentos. Para aumentar a produtividade agrícola, o MCRP proporcionou formação em Boas Práticas Agrícolas (GAP) a mais de 1.700 produtores de algodão, garantindo o acesso a insumos melhorados, estratégias de gestão de pragas e técnicas mais eficazes de gestão da fertilidade do solo.


Para ampliar o impacto, o programa recorreu a inovações digitais, desenvolvendo um kit de microaprendizagem em colaboração com a Kuza Biashara, que inclui 46 vídeos de formação sobre agricultura inteligente face ao clima e gestão da água. Estes materiais de aprendizagem acessíveis offline permitiram que agricultores em áreas remotas tivessem acesso a conhecimentos essenciais sem necessidade de internet ou eletricidade.

Além disso, o MCRP testou modelos empresariais baseados em energia solar, equipando 24 empreendedores comunitários com kits de energia solar para carregamento de telemóveis e iluminação doméstica, contribuindo para reforçar a resiliência económica das comunidades rurais.



O Programa de Resiliência Climática de Moçambique (MCRP) alcançou progressos significativos no reforço da capacidade dos pequenos agricultores para se adaptarem às alterações climáticas, melhorando as infraestruturas de água, promovendo a agricultura sustentável e criando oportunidades de diversificação económica.

No entanto, ampliar estes esforços exige investimentos contínuos na adaptação climática, nos serviços de extensão agrícola e na inclusão financeira, de modo a garantir sustentabilidade e resiliência a longo prazo.

O reforço da governação local, a expansão de fontes alternativas de rendimento e a melhoria dos sistemas de monitoria dos riscos climáticos serão fundamentais para assegurar o futuro do setor agrícola em Moçambique.



Fontes Bibliográficas:






A RESET Foundation está comprometida com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ao expandir parcerias, integrar soluções digitais e investir em intervenções de agricultura inteligente face ao clima, Moçambique pode reforçar a resiliência do setor agrícola e garantir um futuro sustentável para as comunidades rurais. O MCRP está ligado a vários ODS:
























Os ODS, também conhecidos como Objectivos Globais, foram adotados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à ação para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que, até 2030, todas as pessoas possam desfrutar de paz e prosperidade.


 
 
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