Pobreza Multidimensional em Moçambique: Principais Conclusões do Relatório Global do MPI 2023
- Fundação RESET

- 4 de mar.
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O Relatório Global do Índice de Pobreza Multidimensional (MPI) 2023 apresenta uma avaliação actualizada da pobreza nos países em desenvolvimento, destacando os desafios de Moçambique face à pobreza multidimensional severa. O relatório mede a pobreza para além do rendimento, incorporando privações nas áreas da saúde, educação e condições de vida. Apesar dos esforços globais para reduzir a pobreza, Moçambique continua entre os países com os níveis mais elevados de pobreza multidimensional, evidenciando desafios socioeconómicos persistentes.
Principais Conclusões
O valor do MPI de Moçambique situa-se em 0,372, sendo que 61,9% da população (aproximadamente 19,9 milhões de pessoas) é classificada como multidimensionalmente pobre. Adicionalmente, 13,9% da população encontra-se vulnerável à pobreza multidimensional, enquanto 43% vive em situação de pobreza severa.
A intensidade das privações entre os pobres atinge 60%, o que evidencia desafios socioeconómicos profundamente enraizados.
Em comparação com as médias regionais, Moçambique apresenta níveis mais elevados de pobreza multidimensional do que países vizinhos, como a Côte d’Ivoire (0,236) e a República Democrática do Congo (0,331).
A análise das privações revela que as condições de vida representam 46,4% da pobreza total, seguidas pela saúde (27,3%) e pela educação (26,3%). O acesso limitado a saneamento adequado, água potável, electricidade e habitação condigna constitui um dos principais factores que impulsionam a pobreza.
Além disso, persistem disparidades significativas entre as zonas rurais e urbanas, sendo que a grande maioria das pessoas em situação de pobreza multidimensional vive em áreas rurais, onde as infra-estruturas e os serviços básicos continuam insuficientes.
Ao comparar as medidas de pobreza multidimensional e monetária, verifica-se que a taxa de pobreza multidimensional em Moçambique é apenas 2,7 pontos percentuais inferior à taxa de pobreza baseada no rendimento (população que vive com menos de 2,15 dólares por dia). Isto sugere que as avaliações baseadas exclusivamente no rendimento podem subestimar a real dimensão da pobreza, uma vez que muitas famílias classificadas como não pobres segundo critérios monetários continuam a enfrentar privações significativas em serviços essenciais, como educação, saúde e nutrição.
Moçambique continua a enfrentar desafios significativos no combate à pobreza, com uma elevada percentagem da sua população a vivenciar múltiplas privações.
Os resultados destacam a necessidade de políticas direccionadas que abordem as áreas da saúde, educação e desenvolvimento de infra-estruturas, de modo a quebrar o ciclo da pobreza. Melhorar o acesso a uma educação de qualidade, expandir os serviços de saúde e investir em infra-estruturas sustentáveis serão factores determinantes para reduzir a pobreza multidimensional e promover o desenvolvimento económico a longo prazo.
Fonte Bibliográfica
A Fundação RESET está comprometida com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Estas conclusões reforçam a urgência de estratégias abrangentes de redução da pobreza para garantir o desenvolvimento sustentável de Moçambique.
A metodologia e o estudo do PNUD estão alinhados com vários ODS, nomeadamente:







Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à acção para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que, até 2030, todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade.




