Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário em Moçambique
- Fundação RESET

- há 10 horas
- 3 min de leitura

O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário 2030 (PEDSA II) tem como objectivo acelerar a transformação do sector agrário em Moçambique. Este plano dá ênfase à modernização da produção, ao reforço das cadeias de valor, à promoção da gestão sustentável dos recursos naturais e à melhoria da competitividade. A agricultura desempenha um papel crucial na economia nacional, assegurando meios de subsistência para a maior parte da população.
No entanto, desafios como a baixa produtividade, a vulnerabilidade às mudanças climáticas, as infra-estruturas limitadas e o fraco acesso ao financiamento continuam a travar o crescimento do sector. O PEDSA II apresenta um quadro estratégico para ultrapassar estas barreiras, promovendo a segurança alimentar, a criação de emprego e a sustentabilidade ambiental.
Principais Conclusões
O sector agrário de Moçambique é central para a segurança alimentar nacional, porém enfrenta limitações estruturais e económicas que reduzem a produtividade. O sector é dominado por pequenos produtores, com acesso limitado à mecanização, à irrigação e aos serviços financeiros. O défice na produção de alimentos continua a ser um desafio significativo, resultando na dependência de importações de culturas básicas como o arroz e o trigo. Apesar destas limitações, investimentos direccionados na integração das cadeias de valor, na investigação e no desenvolvimento de infra-estruturas têm demonstrado potencial para aumentar a produtividade agrícola e reforçar a resiliência económica.
A sustentabilidade dos recursos naturais constitui uma grande preocupação, uma vez que as elevadas taxas de desflorestação e a degradação da fertilidade dos solos ameaçam a viabilidade da agricultura a longo prazo. O PEDSA II integra estratégias de adaptação às mudanças climáticas, incluindo a agroflorestação, a agricultura de conservação e a gestão sustentável da água, com vista a mitigar a degradação ambiental. No entanto, o esgotamento dos recursos naturais e os desastres induzidos pelas mudanças climáticas continuam a afectar as comunidades rurais. As medidas de política devem reforçar o ordenamento do uso da terra, a protecção da biodiversidade e as transições agroecológicas, de modo a aumentar a resiliência climática.
O ambiente do agronegócio e dos mercados permanece pouco desenvolvido, limitando o potencial de crescimento do sector. Cadeias de valor frágeis, estruturas de mercado ineficientes e a escassez de unidades de processamento contribuem para perdas pós-colheita e baixos rendimentos para os produtores. O PEDSA II dá ênfase à promoção do empreendedorismo rural, à melhoria do acesso aos mercados nacionais e internacionais e à criação de incentivos ao investimento no processamento agro-industrial. O reforço das parcerias público-privadas e a integração de mecanismos financeiros podem apoiar a comercialização da agricultura de pequena escala, garantindo melhores retornos para os agricultores.
O sector agrário de Moçambique necessita de uma transformação estrutural para alcançar a segurança alimentar sustentável e o desenvolvimento económico. O PEDSA II oferece um roteiro estratégico para o aumento da produtividade, o reforço das cadeias de valor e a promoção da sustentabilidade ambiental. No entanto, a sua implementação bem-sucedida depende de esforços coordenados entre o Governo, o sector privado e os parceiros de desenvolvimento. O investimento em investigação, infra-estruturas e acesso aos mercados será fundamental para reforçar a resiliência e garantir um crescimento agrário inclusivo.
Fonte Bibliográfica:
A RESET Foundation está comprometida com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O relatório sobre o sector agrário em Moçambique está ligado a vários ODS, nomeadamente:




Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à acção para acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir que, até 2030, todas as pessoas possam viver em paz e prosperidade.




