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O Conflito Armado em Cabo Delgado: Compreender a Crise e as Suas Implicações

  • Foto do escritor: Fundação RESET
    Fundação RESET
  • 27 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura


Desde outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, em Moçambique, tem sido o epicentro de um conflito armado que envolve grupos insurgentes e as forças de defesa moçambicanas. Caracterizado por violência, deslocações forçadas da população e instabilidade económica, o conflito persiste há mais de quatro anos, sem sinais claros de resolução.


O Relatório de Análise do Conflito em Cabo Delgado (2020), publicado pela Universidade Lusíada, avalia a natureza do conflito, o papel dos atores estatais e não estatais, bem como os impactos socioeconómicos sobre a população afetada.


Principais Conclusões


1. A Natureza e Evolução do Conflito

O conflito em Cabo Delgado envolve grupos militantes islamistas, frequentemente designados por Al-Shabab, que têm levado a cabo ataques contra civis, instituições do Estado e infraestruturas. O relatório indica que a insurgência não é apenas um movimento terrorista local, mas parte de uma ameaça de segurança transnacional mais ampla.


A evolução do grupo, que passou de militantes mal equipados para uma força bem coordenada, dotada de armamento moderno, indica a existência de influências externas e apoio financeiro. O conflito é igualmente alimentado por desigualdades económicas e falhas de governação, fatores que têm alienado as comunidades locais e facilitado o recrutamento por parte dos insurgentes.


2. Crise Humanitária e Deslocação Interna

A violência contínua resultou numa grave crise humanitária, com mais de 700.000 pessoas deslocadas à força das suas casas. Aldeias inteiras foram incendiadas e infraestruturas essenciais — como hospitais e escolas — foram destruídas.


As populações deslocadas procuraram refúgio em centros urbanos como Pemba, onde o sobrepovoamento, a insegurança alimentar e o acesso limitado aos cuidados de saúde se agravaram. Muitas comunidades deslocadas carecem de serviços e apoio básicos, e há relatos de aumento de tensões entre as comunidades de acolhimento e os deslocados.


3. Implicações Económicas e de Segurança

Cabo Delgado alberga uma das maiores reservas de gás natural de África, e o conflito tem afetado gravemente o investimento e o desenvolvimento económico da região. Grandes investidores estrangeiros, incluindo a TotalEnergies, suspenderam as suas operações devido ao agravamento da situação de segurança.


Para além disso, redes ilegais envolvidas no tráfico de drogas, contrabando e exploração ilícita de recursos poderão estar a financiar os grupos insurgentes. O Governo moçambicano tem enfrentado dificuldades em conter eficazmente a insurgência, recorrendo fortemente a empresas militares privadas e a parcerias de segurança regionais.



4. Desafios no Combate ao Terrorismo e na Governação

O Estado moçambicano enfrenta desafios significativos na resposta ao conflito, incluindo falhas ao nível da inteligência, capacidades inadequadas de combate ao terrorismo e estruturas de governação frágeis. A resposta tem sido maioritariamente de carácter militar, com sucesso limitado na prevenção de ataques ou na estabilização da região. Relatórios indicam a ocorrência de violações dos direitos humanos tanto por parte dos insurgentes como das forças de segurança, o que complica ainda mais os esforços para a paz.


Para além disso, divisões políticas e queixas de natureza económica têm agravado a desconfiança da população local em relação ao Governo, tornando as estratégias de combate ao terrorismo menos eficazes.


O conflito armado em Cabo Delgado representa uma crise complexa de segurança, humanitária e económica. A sua resolução exige uma abordagem multifacetada, que inclua o reforço das operações de segurança, o desenvolvimento económico e reformas na governação. O relatório sublinha a necessidade de uma maior cooperação internacional, melhoria na partilha de informação de inteligência e estratégias de desenvolvimento inclusivo que abordem as causas profundas da insurgência.


Sem soluções de longo prazo centradas na redução da pobreza, na criação de emprego para a juventude e no reforço da coesão social, é provável que o conflito persista, agravando ainda mais a instabilidade na região.


Fonte Bibliográfica




A RESET Foundation está comprometida com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Este estudo está ligado a vários ODS, nomeadamente:
















Os ODS, também conhecidos como Objetivos Globais, foram adotados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à ação para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que, até 2030, todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade.


 
 
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