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Avaliação do Envolvimento dos Pequenos Agricultores e das Práticas Agrícolas em Moçambique

  • Foto do escritor: Fundação RESET
    Fundação RESET
  • 4 de mar.
  • 3 min de leitura



O inquérito de linha de base da AgDevCo de 2019, realizado em colaboração com a GreenLight Lda, avaliou os pequenos agricultores envolvidos com a Sociedade Algodoeira do Niassa João Ferreira dos Santos (SAN-JFS), o maior processador e exportador de algodão de Moçambique.O estudo teve como objectivo estabelecer um ponto de referência para compreender a adopção de Boas Práticas Agrícolas (BPA) pelos agricultores, através de vídeos de formação, bem como avaliar as condições socioeconómicas mais amplas das comunidades rurais agrícolas.O inquérito abrangeu 897 pequenos agricultores distribuídos por 79 mercados no sul da Província do Niassa, analisando a produção, a participação nas formações, a utilização do rendimento e diversos factores socioeconómicos.



Principais Conclusões

O inquérito destacou importantes desafios socioeconómicos enfrentados pelos pequenos agricultores. O tamanho médio do agregado familiar era de 5,4 pessoas, sendo que 78% dos inquiridos eram casados e apenas 38% sabiam ler e escrever.

Os bens domésticos eram limitados, com apenas 32% dos agregados familiares a possuírem um telemóvel, e o emprego assalariado era raro, sendo que apenas 3,8% dos agregados tinham um membro com emprego formal.

Estes resultados evidenciam a vulnerabilidade financeira dos pequenos agricultores e a sua forte dependência do rendimento proveniente da actividade agrícola.


Práticas Agrícolas e Tendências de Produção

A maioria dos agricultores inquiridos cultivava várias culturas, sendo o milho a principal cultura alimentar, enquanto o algodão permanecia a principal cultura de rendimento.

Em média, os agricultores cultivavam 2,6 hectares, dos quais 1,6 hectares eram destinados ao algodão. Os produtores de algodão enfrentavam desafios significativos, incluindo baixos níveis de produtividade (280 kg/ha em média), mecanização limitada e forte dependência de trabalho manual.


Além disso, apenas 26% praticavam a rotação de culturas, e o uso de pesticidas era frequente, muitas vezes sem o devido equipamento de protecção, o que evidencia lacunas no cumprimento das normas de segurança e na adopção de práticas agrícolas sustentáveis.



O inquérito avaliou o nível de exposição dos agricultores aos serviços de extensão e aos programas de formação da SAN-JFS. Embora 60% dos agricultores tenham referido que as questões técnicas colocadas durante as sessões de formação foram plenamente esclarecidas, 40% manifestaram insatisfação com a qualidade das sementes.

A participação nas sessões de formação revelou-se irregular: 45% dos agricultores participaram em cinco ou mais sessões, enquanto outros apontaram a falta de informação como um obstáculo à participação.


Observou-se ainda uma procura significativa por soluções tecnológicas, com 73% dos inquiridos a demonstrarem interesse na aquisição de painéis solares para uso doméstico, embora a acessibilidade financeira continue a ser um desafio.


O inquérito de linha de base revelou tanto oportunidades como desafios no sector do algodão de pequenos produtores em Moçambique. Embora a SAN-JFS desempenhe um papel fundamental no apoio aos agricultores, através do fornecimento de insumos e formação, persistem barreiras importantes, como as baixas taxas de alfabetização, recursos financeiros limitados e reduzida produtividade agrícola.


O estudo sugere que a expansão do acesso à formação, a melhoria da mecanização agrícola e a promoção de práticas sustentáveis — como a rotação de culturas e o uso seguro de pesticidas — podem contribuir para o aumento da produção de algodão e para a melhoria dos meios de subsistência dos agricultores.


O reforço da inclusão financeira, o acesso à energia solar e a melhoria da educação agrícola são igualmente factores essenciais para impulsionar o desenvolvimento rural sustentável a longo prazo.


Fonte Bibliográfica






A Fundação RESET está comprometida com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O estudo de análise da AgDevCo está alinhado com vários ODS, nomeadamente:
















Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também conhecidos como Objectivos Globais, foram adoptados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal à acção para erradicar a pobreza, proteger o planeta e assegurar que, até 2030, todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade.


 
 
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